
Após o fechamento do ciclo da graduação decidimos que iremos compartilhar um pouco da nossa produção sobre a contribuição das práticas psicossociais para o empoderamento de adolescentes na favela. Neste trabalho demonstramos de que maneira a experiência com as práticas psicossociais podem contribuir para a promoção da conscientização ético-política e da emancipação de jovens mulheres na favela. Para tanto, defendemos a importância da interseccionalidade como ferramenta metodológica, na perspectiva do feminismo negro e interseccional.
O objetivo foi compreender de que maneira as relações de poder e opressão, como o machismo, o racismo e o preconceito de classe, bem como as determinações associadas ao território, concorrem para a manutenção das condições de desigualdade de acessos. Analisamos as práticas psicossociais e a relevância de um espaço de escuta como instrumento de diálogo educativo na área de direitos humanos, considerando o paradigma de sujeito sócio-histórico. Nossa pesquisa se deu a partir do Projeto Luna Crescente, iniciativa voltada para a formação social em escolas e espaços públicos e privados. Assim, o objetivo desse projeto é levar a discussão das temáticas de gênero, raça e sexualidade fundados na garantia dos direitos humanos, para as salas de aulas, podendo ser trabalhados em formato de roda de conversa, vídeo aulas, debates e atividades recreativas e práticas para incentivar o pensamento crítico das envolvidas. O público alvo são jovens e adolescentes de 12 a 18 anos, alunas e alunos de escolas públicas e usuários dos equipamentos públicos de Belo Horizonte e região metropolitana.
Ao construirmos juntas este espaço de debates, buscamos ouvir e acolher as demandas trazidas por elas, que se estendem à sua relação familiar, desempenho escolar ou profissional, saúde mental, dentre outras áreas de suas vidas. A análise interseccional tornou-se, assim, uma ferramenta necessária frente à complexidade das relações sociais e a multiplicidade dos atores envolvidos. De acordo com Mayorga (2013), a compreensão marxista acerca das lutas de classe, bem como a perspectiva do gênero como matriz única das opressões que recaem sobre o feminino, se revelaram insuficientes para compreender criticamente as experiências de marginalização, subordinação e dor de maneira mais ampla. Por isso, a partir de contribuições das feministas negras, latino-americanas, africanas, asiáticas e lésbicas, foi construído o modelo interseccional de análise dos diferentes eixos de opressão e poder, notadamente, classe, gênero, expressões da sexualidade e raça. Outro elemento importante a ser considerado é o território, o qual, no caso do Projeto e suas participantes, é a favela, estereotipada como um não-lugar que resulta na depreciação tanto do espaço quanto dos que ali estão e nele se movimentam.
Nesse sentido, se coloca o desafio de denúncia e enfrentamento dos dispositivos de manutenção do poder, os quais visam controlar quem tem acesso a esses mesmos lugares de poder e quem não tem. No recorte do Projeto Luna Crescente, mais especificamente entre as mulheres negras periféricas, podemos citar como exemplos recorrentes algumas crenças difundidas culturalmente e reforçadas por meios diversos: a associação da negritude com a criminalidade, que se reflete nos altos índices de encarceramento e genocídio da juventude negra, e com uma estética indesejada, que não pode ser objeto de afeto, ocupando apenas o lugar do desejo. (Moura, Divina & Bicalho, 2021).
Dado a apresentação do nosso projeto de conclusão de curso, iremos descrever um pouco as descobertas que construímos no campo prático e teórico. Nosso referencial teórico é ‘A contribuição das práticas psicossociais para o empoderamento de adolescentes na favela’. RUNA, repositório universitário da ânima, em 2021. MOURA, Camila. DIVINA, Erika & BICALHO, João (2021)